quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Toscana ou Piemonte? Nebbiolo ou Sangiovese?

PAPO DE ADEGA
Vamos conhecer um pouco mais dos afamados Barolos e Brunellos?
por Flávia Medeiros*


  
Barolo, um vinho que é produzido no noroeste da Itália, na Província de Cuneo.

Os franceses têm Borgonha e sua elegante Pinot Noir e Bordeaux, tem a potência do Cabernet.  Os italianos, Piemonte com a sutil Nebbiolo e Toscana com a força da Sangiovese.
Na parte vitivinícola desse confronto, Itália e França se alternam como os maiores produtores de vinho do planeta em quantidade de litros. Se na França, há uma dicotomia entre os vinhos de Borgonha e Bordeaux, na Itália não é diferente. As duas regiões mais famosas, Piemonte e Toscana, também disputam o gosto do consumidor.
Barolo e Brunello de Montalcino são os grandes destaques nessa disputa. O Barolo é um vinho produzido nas cercanias da cidade de mesmo nome no Piemonte, com a uva Nebbiolo, e o Brunello di Montalcino, na Toscana nas proximidades da cidade de Montalcino, com a casta Sangiovese - que nessa região carrega o nome de Sangiovese Grosso.
A região do Piemonte produz outras joias além dos desejados Barolos. Nessa região, esse vinho tem um "irmão" quase do mesmo nível. Trata-se do Barbaresco que, como o Barolo, também é produzido obrigatoriamente pelas normas da Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG) a partir de 100% Nebbiolo.
Pouco mais de 20 quilômetros separam as comunas de Barolo e Barbaresco, que produzem vinhos semelhantes. Talvez a diferença mais "conhecida" entre Barolo e Barbaresco é que, na maioria das vezes, o Barbaresco é mais fácil de ser apreciado quando jovem. Porém, essa regra não é válida dependendo do produtor.
Além desses dois grandíssimos tintos, o Piemonte tem outros tantos vinhos especiais, como os extraordinários Barbera, que reinam nas comunas de Asti e também em Alba, além dos famosos brancos doces à base da Moscato.
A Toscana tem tradição milenar na produção de vinhos e também tem muitas estrelas além dos Brunello di Montalcino. Ainda de Montalcino há outro tinto denominado Rosso di Montalcino, que pode ser considerado um "minibrunello".
Sem dúvida, os Brunello são os vinhos mais disputados da Toscana, mas nem sempre foi assim. Durante muitos anos, os tintos de Chianti eram mais conhecidos pelos enófilos, que os consideravam vinhos ralos e até ordinários. Atualmente, no entanto, existem vinhos Chianti de grande estirpe.
Mais recentemente na Toscana aconteceu um fenômeno "inventado" pelos americanos: os "Super Tuscans" ou Supertoscanos. Esses vinhos viraram uma febre de vendas, principalmente nos Estados Unidos, e nasceram porque muitos produtores da região decidiram produzir vinhos com castas não permitidas pelas legislações da DOC e DOCG - mais notadamente com variedades francesas originárias de Bordeaux como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. O resumo do conceito de Supertoscano é que podem existir tanto grandes vinhos com castas francesas, mas também vinhos que são produzidos a partir de 100% sangiovese.


Nebbiolo e Sangiovese
A Nebbiolo é conhecida pela delicadeza de um vinho com muita estrutura, taninos extremamente marcantes e muita personalidade. Enquanto isso, com a Sangiovese, encontramos desde vinhos ralos e sem expressão até verdadeiras "massas musculares" como alguns varietais puros e Brunellos de estirpe. A Sangiovese é mesmo muito versátil e, diferentemente da Nebbiolo, vai muito bem em blends.


Barolo e Barbaresco
No Piemonte, mais especificamente nos arredores de duas pequenas cidades, Barolo e Barbaresco, tem-se um dos mais expressivos números de vinhos elaborados em vinhedos únicos (Single Vineyard) do mundo. Ao vermos o mapa dessa pequena região vitivinícola, notamos a enorme diversidade de vinhos produzidos com uma única uva, a Nebbiolo (o mesmo fenômeno ocorre na Borgonha, com a Pinot Noir).
Barolo, local dos vinhos mais ricos e profundos produzidos na Itália - conhecidos como "Vinho dos reis e Rei dos vinhos", é dividido em cinco grandes áreas: Barolo, Castiglione Falleto, Monforte d'Alba, La Morra e Serralunga d'Alba.
Já Barbaresco têm como destaque os sublimes vinhedos únicos de Rabajá, Asili e Il Bricco. Coincidentemente são esses Single Vineyards, de Barolo e Barbaresco, ao lado dos grandes vinhos da Borgonha, os mais elegantes, complexos e diferenciados tintos do planeta.
Além do Barolo, a DOCG de Barolo possui o Barolo Riserva. Esses vinhos estagiam por um período mínimo de três anos, dos quais pelo menos dois em barris de carvalho.

Brunello di Montalcino
Qualquer enófilo sonha  em degustar um Brunello di Montalcino. O Brunello, como "marca", é recente, tem pouco mais de cem anos. Mas, nesse período, tornou-se o vinho italiano de maior glamour e luxo, suplantando qualquer outro. Esse ícone da vitivinicultura mundial é produzido em um pequeno espaço de terra ao sul de Siena a partir da uva Sangiovese Grosso in purezza (a DOCG não permite que nenhuma outra casta entre na composição do Brunello). Essa variedade de maturação tardia é colhida em meados de outubro, produzindo um vinho escuro, já que é fermentado lentamente e por muito tempo em contato com as cascas da uva, para extrair o máximo de cor e sabor. Depois, é envelhecido em botes de carvalho.
Brunello costuma ser um símbolo de poder e riqueza, e no Brasil, mesmo os mais baratos, estão acima dos seus  R$ 100,00.  E como ele é um vinho quase sempre muito caro, é preciso atenção para comprar uma garrafa, pois existem inúmeros Brunello sofríveis e de baixa qualidade. A dica é prestar atenção ao nome do produtor.
As normas da DOCG de Brunello di Montalcino exigem que o vinho estagie por um período de envelhecimento de pelo menos dois anos em barris de carvalho (qualquer dimensão) e pelo menos quatro meses em garrafa. Não pode ser colocado para consumo antes de 1o de janeiro do ano posterior ao estágio de cinco anos calculados considerando a data da safra.
Agora, é só eleger seu favorito e tirar suas próprias conclusões! Salute!

(*) Consultora em vinhos e com especialização na área. No Brasil é uma das poucas profissionais que conta com a certificação Wine & Spirit Education Trust – Level 2. Contato: chateaumedeiros@hotmail.com 




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