quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Clube do vinho

Novembro é o mês da enogastronomia em Petrópolis

O romance entre taças e pratos fica mais acentuado neste mês, já que a Cidade Imperial sedia o XIV Petrópolis Gourmet e cria projeto do primeiro Clube do Vinho.

por Luiza Sanchez
Cada vez mais os brasileiros se envolvem na arte da enogastronomia e os petropolitanos não ficam para trás. Adegas e bistrôs da cidade têm se dedicado a oferecer vinhos de qualidade e com atendimento especializado, onde o cliente tem o prazer de escolher as uvas a partir de suas propriedades gustativas, a fim de harmonizar com pratos elaborados, independente do tipo de culinária. Quando o casamento entre taça e prato acontece, todas as características do paladar são ressaltadas, criando um conjunto sensorial que causa grande satisfação.
No mês em que Petrópolis sedia a 14ª edição do Petrópolis Gourmet, a busca pela harmonização é mais acentuada. E com o objetivo de que mais pessoas possam desfrutar dessa experiência, o professor de degustação Fernando Miranda (foto), criou o primeiro Clube do Vinho de Petrópolis. Fernando dá cursos de vinho na Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), no Rio de Janeiro, onde já foi presidente e é professor há aproximadamente 30 anos.
No Clube do Vinho, os apreciadores irão acumular conhecimentos e poderão se aprofundar nas particularidades de cada tipo de uva, nas diferenças entre as regiões vinícolas, nacionalidade dos rótulos, além de participarem de degustações. Fernando ainda aborda a importância da enogastronomia. “A harmonização vai depender do tipo de refeição. Por isso muitas vezes se escolhe o vinho e depois o prato. Nada melhor do que ajustar o vinho. Não precisa ser necessariamente uma excelente culinária, nem um excelente rótulo, mas se estiver ajustado, harmonizado, será perfeito”, diz.
Neste caso, ele explica que o gosto pessoal é preponderante. “Tem pessoas que detestam espumantes, por exemplo. Mas na hora de escolher um vinho para comer com sashimi (salmão cru), tendo a experiência e conhecendo as castas de uvas, pode-se achar um vinho mais próximo para a harmonização. Desta forma a pessoa tem um prazer a mais à mesa”, aponta.
E para quem tem preconceito com os vinhos nacionais, o professor ainda aponta que o Brasil vem crescendo gradualmente no mercado e que já produz vinhos muito bons. “Perto de outros países, o Brasil produz vinhos há pouco tempo. Temos rótulos ganhando espaço há pouco mais de 30 anos e, para um vinho desta idade, já estamos bastante bem. Não podemos ainda concorrer com nossos vizinhos como o Chile e Argentina, mas produzimos vinhos de qualidade sim”, afirma.
No Brasil, a Serra Gaúcha é a região vinícola pioneira e a mais forte. Mas Fernando ainda aponta que também há produção de bons vinhos no Planalto Catarinense, perto da fronteira com o Uruguai, e na Serra do Sudeste. No entanto, vale ressaltar que cada região é caracterizada por tipos de uvas diferentes, bem como as formas de cultivo e o clima do local, que interferem no sabor do produto final.
Outro tema a ser abordado pelo professor é sobre o processo de produção dos vinhos. “Aquela história de que o vinho quanto mais velho é melhor, hoje já não faz tanto sentido. Isso porque a maioria deles é elaborada com técnicas mais modernas, dispensando o longo tempo de envelhecimento”, ressalta. Os interessados em se aprofundar ou acumular seus conhecimentos sobre o mundo das taças, ainda têm tempo de entrar para o Clube do Vinho.

SERVIÇO
Fernando Miranda – Professor de Degustação de Vinhos
Contatos: (24) 98811-0403 ou 2246-0741
As reuniões serão semanais terão dias e horários definidos assim que o grupo estiver fechado. 

*Luiza Sanchez - repórter do Caderno de Gastronomia do Jornal Petrópolis em Cena (Edição  Novembro de 2014)

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